Uncategorized

Aos 10 anos, o garoto Sérgio Grande mudou-se de Ribeirão Bonito para a cidade na qual construiria toda a sua vida. Mais do que isso, àquela que ganharia todo o seu
coração: Araraquara.
Foi na Morada do Sol que Sérgio conheceu a esposa, com quem permaneceu casado por toda a vida. Teve seu único e tão desejado filho, Serginho. Ganhou a maior paixão da sua vida, o neto Francisco. Fez carreira como administrador de empresas e engenheiro de solos. Desenvolveu o seu lado artístico, ganhando destaque na pintura. Atuou junto à comunidade em prol de todos. Sem dúvida, essas foram as principais partes da vida de Serjão, como era popularmente conhecido.

O marido

Já na adolescência, a nova vizinha despertou uma certeza em Sérgio. “É com ela que casarei”. No colégio, ele deixava bilhetes em sua carteira. Fazia questão de ir ao cinema todos os domingos, na famosa sessão das moças, só para ficar mais perto dela, que sempre estava acompanhada da avó. E, conforme os anos passavam, ele afirmava para quem quisesse ouvir: “vou me casar com a Cidinha Lima”. Por muito tempo, isso foi motivo de risos entre os seus amigos da Turma do Jardim, que afirmavam: “ela não é para o seu bico”. Até a própria Cidinha se irritava com todo o flerte e insistência. Porém, após 10 anos, Serjão conseguiu. “Começamos a namorar e, depois de alguns anos, nos casamos”, conta Maria Aparecida de Lima Grande, a Cidinha. Foram 51 anos de casados.

O pai

Quando decidiram ter filhos, o casal encontrou dificuldades para engravidar. Após anos de tratamento e muita persistência, finalmente eles conseguiram. Nasceu Sérgio Vinicius de Lima Grande, o tão sonhado filho. “Acho que um dos grandes desafios do Serjão como pai foi aprender a conciliar uma educação mais rígida, na qual havia sido criado, com uma mais afável, que eu recebi quando criança”, afirma Cidinha. Serjão foi um pai carinhoso, presente e que prezava muito o diálogo. “Acho que eles só não se entendiam sobre a importância da matemática”, brinca Cidinha, já que o pai atuava na área de exatas e o filho, na de humanas. Dentre tantas características de Serjão como pai, a esposa conta sobre o apoio incondicional oferecido ao filho em todos os momentos. Um deles foi quando Serginho começou a jogar tênis e participar de competições. “Ele fez uma quadra em nosso sítio para o filho treinar. Depois, fez mais 5 quadras, contratou professores de todo o Brasil e abriu uma escola de tênis”, relembra.

O avô

Escutar as palavras “Vovô Chacotinha” era o som preferido de Serjão. Seu neto, Francisco, hoje com 12 anos, era sua verdadeira paixão. A emoção de ver o bebê pela primeira vez, o orgulho que surgia quando diziam “é a sua cara” e a relação de confiança e amor construída ao longo dos anos fez nascer um avô ainda mais carinhoso. Dentre tantas histórias de avô e neto, Cidinha relembra quando Serjão comprou um computador para o menino ficar ao lado dele, enquanto trabalhava no  escritório. “Além disso, há vários pôsteres enormes com fotos do Francisco, em casa, que ele mandava fazer”, diz.

O morador

Serjão também atuava em prol da comunidade. Dentre suas várias atividades, foi um dos fundadores da Sociedade Amigos dos Bairros da Fonte, em que lutava por melhorias e defesa dos direitos dos moradores da região.

O pintor

Autodidata, Serjão ganhou destaque com um dos seus hobbies favoritos: a pintura. Ele criou vários quadros e participou de exposições artísticas. “Ele deu muita sorte de contar com mentores excepcionais, como os artistas Paulo Mascia, Ykue Yuta e Luiz Lucas”, relembra Cidinha.

O adeus

Sérgio Grande faleceu aos 73 anos, em abril de 2019, após lutar 17 anos contra o câncer de próstata. Cidinha conta que a sua despedida foi repleta de carinho e amor, feita pela família e amigos, e o sepultamento ocorreu no Parque dos Lírios. “Escolhemos o parque por ser um lugar muito bonito, que traz calma aos nossos corações”, afirma.

today, tomorrow and beyond.

Leave a Comment

Leave a Comment