Neste primeiro Dia dos Pais após a despedida de Gabriel e Carlão, Verônica relembra as histórias, os ensinamentos e o amor que os dois deixaram para a família.

Neste ano, o Dia dos Pais terá um significado diferente para Verônica Aparecida Alves de Morais. Em um intervalo de menos de dois meses, ela se despediu de duas das figuras mais importantes de sua vida: o pai, Gabriel Alves de Morais, que faleceu em 30 de abril, e o marido, Carlos Henrique Alves de Mira, carinhosamente conhecido como Carlão, que partiu em 21 de junho.

Além da primogênita, Gabriel deixou Gabriela e Maria Helena. Carlão, por sua vez, deixou os filhos Talita, Natália e Carlos Henrique e o enteado Alisson. Duas despedidas em tão pouco tempo transformaram este primeiro Dia dos Pais sem a presença deles em um momento de saudade ainda muito recente, mas vivido com o mesmo amor que sempre uniu a família.

Verônica e Carlão ao lado de Gabriel e Fátima

Verônica e Carlão, à esquerda, e Gabriel e Fátima.

Gabriel

Gabriel Alves de Morais nasceu em Astorga (PR), em uma família numerosa e acostumada ao trabalho na roça desde cedo.

A perda da mãe, quando tinha apenas 17 anos, marcou profundamente sua juventude. Curiosamente, foi nesse período que os caminhos de sua família começaram a se cruzar com os de Fátima, que mais tarde se tornaria sua esposa. “Minha mãe foi ao velório sem imaginar que aquela mulher, um dia, seria sua sogra”, conta Verônica.

Depois de se casarem, Gabriel e Fátima seguiram para Bebedouro (SP) em busca de novas oportunidades. Cinco anos após o casamento, nasceu a primeira filha, Verônica. Mais tarde vieram Gabriela e Maria Helena, completando a família.

Gabriel e Fátima sentados juntos

Gabriel e Fátima.

Foi também nessa fase que Gabriel encontrou a profissão que o acompanharia por toda a vida: a de caminhoneiro.

Apaixonado pela estrada

Ao longo dos anos, Gabriel trabalhou em diversas empresas e construiu sua trajetória atrás do volante. “Ele fez da estrada a sua paixão”, resume Verônica.

Quando ela tinha apenas dois anos, a família chegou a morar em Araraquara (onde viviam vários parentes paternos) por um curto período, estabelecendo-se nas proximidades da Igreja do Carmo. Depois, retornaram para Bebedouro e, em 1993, voltaram para a Morada do Sol, onde permaneceram até 2016.

Para quem conviveu com Gabriel, era impossível não perceber o quanto ele era conhecido. Seu jeito comunicativo fazia amigos por onde passava. “Já viajei com ele de caminhão e parecia que a gente estava andando dentro da cidade. Era buzina de um lado, cumprimento do outro. Eu ficava impressionada”, relembra.

Além das viagens, ele gostava de reunir a família e os amigos em churrascos, conversar e aproveitar os momentos simples da vida.

Carinhoso do seu jeito

Apesar das longas ausências impostas pela profissão, Gabriel sempre manteve uma relação muito próxima com as filhas. “Eu era muito apegada a ele. Quando chegava das viagens, eu não queria ficar longe. Às vezes dizia que não queria dormir sozinha e ele ia buscar minha prima para passar a noite comigo. Nós éramos muito unidos”, recorda Verônica.

O carinho se manifestava em gestos simples e constantes. Gabriel era um pai cuidadoso, atento e presente sempre que podia. Também era conhecido pelas brincadeiras dentro de casa, especialmente com a esposa. “Ele tirava muito a minha mãe do sério. Ela não levava nada na brincadeira e ele adorava provocar. Falava alguma coisa, ela já se irritava e ele saía dando risada”, lembra, aos risos.

O orgulho de ser avô

Com a chegada dos netos, Gabriel encontrou uma nova forma de viver o amor.

Verônica nunca esqueceu o primeiro presente que o pai comprou para seu filho Alisson, o primeiro neto da família. “Um caminhão de brinquedo, com lona e tudo. Era a cara dele”, relembra, sorrindo.

Fátima e Gabriel ao lado dos netos

Fátima e Gabriel com os netos.

Ao todo, Gabriel viu a família crescer com a chegada de 11 netos: Alisson e Carlos Henrique, filhos de Verônica; Caio, João, Mateus e Ester, filhos de Gabriela; e Felipe, Ryan, Jordana e as gêmeas May e Jade, filhos de Maria Helena. Com cada um deles, manteve o jeito cuidadoso e afetuoso que sempre dedicou às filhas.

Fátima e Gabriel ao lado das netas

Fátima e Gabriel com as netas.

Nos últimos anos, a saúde passou a exigir mais atenção. Problemas cardíacos, o Alzheimer e uma fratura no fêmur reduziram gradualmente a autonomia de um homem acostumado ao movimento constante das estradas. Durante um ano e três meses permaneceu acamado, até falecer, aos 75 anos, em decorrência de uma embolia pulmonar.

Para Verônica, uma imagem resume a trajetória de Gabriel. “Meu pai amava ser caminhoneiro. Viver na estrada era a vida dele. E a última viagem que ele fez foi de Bebedouro para Araraquara, para descansar no Lírios.”

Carlão

Carlão entrou na vida de Verônica quando ela tinha 22 anos. Recém-separada e mãe de Alisson, de apenas dois anos, ela ainda não imaginava que aquele novo vizinho da casa de sua mãe, que morava nos fundos, se tornaria seu companheiro pelos 26 anos seguintes.

Carlão e Verônica juntos em uma festa

Carlão e Verônica.

Carlão havia passado a infância e a juventude na zona rural, trabalhando como retireiro, responsável pela ordenha das vacas. Aos 22 anos, mudou-se para Araraquara, onde construiu carreira como torneiro mecânico. Depois do fim de seu primeiro casamento, do qual nasceram as filhas Talita e Natália, foi morar com a irmã, vizinha de dona Fátima.

Os dois começaram a namorar em 2000. Dois anos depois, quando Verônica comprou a própria casa, passaram a viver juntos. “Nós tínhamos 22 anos de diferença, mas isso nunca foi um problema. Construímos uma vida inteira juntos”, conta Verônica.

Pouco tempo depois, Carlão fez um pedido que mudaria novamente a história da família. “Ele falava: ‘Quando eu fizer 50 anos, quero ter um filho com você’. Eu achava que ele ia esquecer. Mas, quando chegou a idade, ele falou de novo. Foi assim que nasceu o Carlos Henrique.”

Pai presente

Além dos três filhos biológicos, Carlão escolheu ser pai também de Alisson. “Ele fazia de tudo. Ia às reuniões da escola, às festinhas, participava de tudo. Sempre foi muito presente”, afirma Verônica.

O nascimento da neta Helena, filha de Natália, também trouxe muita alegria para a família. No entanto, nessa época, o Alzheimer já havia avançado. “Ele já não reconhecia mais ninguém e acabou não conseguindo aproveitar essa fase. Mas, no último aniversário dele, quando fomos cortar o bolo, a Helena olhou para ele e perguntou: ‘Você quer, vô?’. Foi um momento muito bonito”, recorda.

Sogro

Além de dividir a vida com Verônica, Carlão construiu uma relação de amizade com Gabriel. Com apenas cinco anos de diferença entre eles, os dois compartilhavam conversas, churrascos e momentos de descontração.

“Eles se davam muito bem. Gostavam de tomar uma cervejinha, uma cachacinha e dar risada. Eram muito amigos.”

Disposição

Quem conheceu Carlão dificilmente o imaginaria parado. Torneiro mecânico, muitas vezes preferia vender as férias a ficar sem trabalhar.

Fora do expediente, continuava em movimento. Praticava corrida, jogava futebol todos os domingos pelo time de veteranos Veneno, gostava de assistir às partidas na televisão, acordava cedo e estava sempre disposto a ajudar quem precisasse.

Carlos Henrique, Verônica, Carlão e Alisson lado a lado

Carlos Henrique, Verônica, Carlão e Alisson.

Apesar do jeito sério, costumava encontrar motivos para rir mesmo nas situações mais inesperadas. Verônica se lembra de uma viagem em família para um pesqueiro na região de Araraquara. No caminho de volta, um pneu furou em um trecho sem acostamento. Depois da troca, poucos metros adiante, outro pneu estourou. “Mesmo naquele aperto, ele conseguiu levar tudo com bom humor. Era bravo às vezes, mas também fazia brincadeiras para aliviar qualquer situação”, relembra.

Despedida difícil

Os primeiros sinais do Alzheimer apareceram em 2016, quando Carlão tinha apenas 60 anos. “Eu percebia que ele estava diferente. Fomos ao médico, mas ele disse que era déficit de atenção”, recorda a esposa.

Somente dois anos depois, uma ressonância magnética revelou as alterações cerebrais e confirmou o diagnóstico. A expectativa era de que o tratamento conseguisse estabilizar a doença. Mas ela evoluiu rapidamente.

Para Verônica, o diagnóstico sempre pareceu difícil de compreender. “Ele era uma pessoa muito saudável. Praticava atividade física, se alimentava bem, trabalhava, era ativo. Não tinha outros problemas de saúde. A gente nunca imaginou que viveria isso.”

Em junho deste ano, após complicações provocadas pelo Alzheimer, associadas à pneumonia e a um choque séptico, Carlão faleceu aos 70 anos.

Um lugar de paz

A história da família com o Lírios Cemitério Parque começou ainda nos primeiros anos de funcionamento. Foi um tio de Verônica quem conheceu o empreendimento e decidiu adquirir os primeiros terrenos para a família. Na época, o entorno ainda era praticamente vazio.

Hoje, além de Gabriel e Carlão, três tios de Verônica também descansam no local. “O Lírios transmite uma paz muito grande. É diferente, não tem aquele clima pesado que muitas pessoas associam a um cemitério. Você vem, senta, pensa na vida, em tudo o que viveu. Aqui a gente percebe que, no fim, todos somos iguais. Não importa se a pessoa era rica ou pobre, todos recebem o mesmo respeito. E, quando é alguém que amamos, queremos oferecer essa última homenagem da melhor forma possível”, reflete Verônica.

As visitas fazem parte da sua rotina. Sempre que pode, ela passa pelos túmulos da família. Também costuma visitar o espaço Saudade Animal, dedicado aos animais de estimação.

Verônica também participa das celebrações promovidas pelo Lírios em datas especiais, como o Dia das Mães, o Dia dos Pais e o Dia de Finados. “No último evento que viemos, colocamos o nome das pessoas que amamos na Árvore da Saudade. Foi um momento muito bonito.”

Para ela, a criação do cerimonial e da funerária tornou o acolhimento às famílias ainda mais completo. “Eu sempre recomendo o Lírios. Depois que a funerária foi inaugurada, ficou ainda melhor. A família não precisa enfrentar todo aquele deslocamento pela cidade em um momento que já é tão difícil. Tudo é organizado com muito respeito e cuidado, e isso faz muita diferença”, finaliza.

Matéria publicada originalmente na revista do Lírios Cemitério Parque, edição Dia dos Pais 2026.