Ainda jovem, José Custódio Filho ficou viúvo e com seis filhos para criar. Algum tempo depois, conheceu a jovem Antônia Rosa da Silva, com quem se casou.

Mineiros, a nova família decidiu tentar a vida em São Paulo, assim como outros parentes. Na capital, o casal teve mais seis filhos: Célio, João, Erli, Eliane, Cristina e Karina.

Após 30 anos, a família seguiu novamente os parentes e mudou-se para Américo Brasiliense. Cinco anos depois, finalmente fincaram raízes em Araraquara.

Dona Antônia ao lado do marido José e dos filhos, em fotografia antiga
Dona Antônia com o marido, José, e os filhos.

A caçula Karina ainda era menina quando veio para o interior do estado, mas guarda lembranças saudosas dessa época. “No final do dia, sentávamos na calçada e minha mãe mexia nos meus cabelos enquanto conversávamos”, conta.

Apesar da rotina exaustiva de dona de casa, ela fazia questão de ter tempo de qualidade com a gente.

Herança

Karina Bauman cresceu e herdou duas características marcantes de dona Antônia: a hospitalidade e a mão boa para cozinhar. “Ela era muito acolhedora, como uma boa mineira. Então, chegava gente em casa sem almoçar às 15h. Ela servia todo mundo, pois amavam a comida dela”, recorda.

Hoje, a filha trabalha como digital influencer de receitas saudáveis. E é em sua casa que toda a família se reúne aos finais de semana e em datas comemorativas, como o Natal, além de sempre receber os amigos.

“Na verdade, minha mãe doava o tempo dela para todo mundo. Chegava alguém, ela parava para ouvir e dar atenção. Por isso, era querida por muita gente. Hoje, eu valorizo demais quando a pessoa doa o tempo dela para estar comigo. E faço o mesmo pelas pessoas que amo”, afirma Karina.

Outra característica marcante de dona Antônia era a fé. Levava a família toda para o culto aos domingos de manhã. “Acordávamos cedo e caminhávamos meia hora até a igreja. Na volta, andávamos mais meia hora para chegar em casa já naquele sol forte”, relembra.

A matriarca não sabia ler e, por isso, pedia aos filhos que lessem a bíblia em voz alta para ela. “Como a caçula, ela falava que deixaria eu sair para brincar depois de ler dois versículos”, recorda a filha, aos risos.

Karina conta que hoje passa esses mesmos valores para a própria filha. “Principalmente nesses dias em que vivemos atualmente. Se não tivermos essa fé Nele, não conseguimos seguir”, acredita.

Mesmo sem saber ler, dona Antônia sabia recitar vários versículos bíblicos, cantar, contar dinheiro muito bem e exigia boas notas escolares de todos os filhos.

Dona Antônia caminhando ao lado do marido José na igreja
Dona Antônia e o marido, José, na igreja.

Avó

Como mãe, dona Antônia era amorosa. Com os netos, ficou ainda mais. Karina conta que ela fazia coisas absurdas para agradá-los. “Uma vez, meu sobrinho queria muito ir ao parquinho, mas minha mãe não podia levá-lo. Então, ela pegou uma lata de areia e jogou no chão da cozinha pro menino brincar. Depois, limpou tudo”, ri Karina.

A neta mais nova era muito pequena quando a avó faleceu, mas até hoje lembra com carinho das vezes em que sentavam no chão para brincar juntas.

Dona Antônia beijando o rosto da filha caçula, Karina
Dona Antônia com a caçula, Karina.

Como mãe, dona Antônia era amorosa. Com os netos, ficou ainda mais.

O adeus

Em 2014, a saúde de dona Antônia se agravou e ela passou três meses internada em um hospital, em São Carlos. A família e os amigos iam visitá-la todos os dias, de manhã e à noite. “Ela dizia que já estava pronta para ir com Deus, mas queria ficar pois sabia que sentiríamos muito a falta dela”, relembra Karina.

Em janeiro de 2015, dona Antônia partiu. Foi sepultada no Lírios Cemitério Parque, junto ao marido, que faleceu em 2012.

Hoje, são as doces lembranças que preenchem o vazio da ausência física de dona Antônia. “Ela deixou muitas saudades”, finaliza Karina.


Esta reportagem foi publicada originalmente na edição especial de Dia das Mães da revista do Lírios Cemitério Parque.ães, histórias de família, Araraquara, acolhimento, cemitério parque, maternidade